Hortas montadas em telhados de casas ajudam famílias pobres e incentivam alimentação saudável

No projeto 'Telhado Eco Produtivo: semeando novos horizontes', alimentos são cultivados em cima de casarões antigos do Bairro de São José, no Centro do Recife. São 400 metros quadrados de canteiros.

Um projeto realizado no Centro do Recife está levando comida saudável para a mesa de famílias pobres, que moram em comunidades da cidade. Com canteiros montados em telhados de casas, os moradores plantam o que comem e, assim, têm ajuda para enfrentar a insegurança alimentar agravada pela pandemia de Covid-19


As hortas são cultivadas em cima de casarões antigos do Bairro de São José. São 400 metros quadrados de canteiros com verduras, legumes e temperos orgânicos.

O projeto "Telhado Eco produtivo: semeando novos horizontes" beneficia 100 jovens e crianças, na Comunidade dos Pequenos Profetas.


Uma vez por semana, mães que têm filhos no projeto vão aos canteiros para levar o alimento para casa. Com a iniciativa, além de alimentar a família, as mulheres aprendem como cultivar alimentos com as próprias mãos, além da importância da alimentação saudável.


"Eu levo tudo o que plantamos aqui na horta. Alface, cebolinho, coentro. Já é uma força, é uma salada massa que a gente põe na mesa de casa", afirma a diarista Ana Izabela de Lima, uma das participantes do projeto.

O projeto se multiplicou. No pequeno quintal da dona de casa Edjane Nicácio dos Santos, coberto de cimento, as plantas sobem as paredes em canos e garrafas de refrigerante. Ela ensinou até o marido, o pedreiro Rerinaldo Noronha, a cultivar o próprio alimento.


"Já colhi tomate, pimentão. Já colhi muito. Ajuda muito, e é uma delícia. Na hora que a gente está preparando [a comida] o cheiro sobe, tão gostoso", declarou a dona de casa.

As sementes são plantadas pelos jovens que participam do projeto. As mães ficam responsáveis pela colheita. Segundo Demétrius Demetrio, fundador da iniciativa, os jovens passam a gostar de alimentos que não tinham costume de ingerir.


"Nesse momento de pandemia no país, é necessário, porque ele dá acessibilidade à boa alimentação. Infelizmente, nós voltamos para o Mapa da Fome. Então, é uma pobreza muito grande. A pandemia trouxe isso", afirmou.

A dona de casa Josélia Pereira da Silva vive numa palafita sobre o Rio Capibaribe. Sem terra para viver e muito menos plantar, a alternativa foi a horta suspensa, comas garrafas de plástico.


"Tem hora em que a gente quer ter o dinheiro para comprar um coentro, alguma coisa, e não tem condições. Com a horta dentro de casa, a gente pode tirar para fazer as coisas. Hoje, eu colhi o coentro para colocar no feijão. É bom, eu gostei. Vou cuidar com carinho", declarou.


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